Estudo RN4CAST - o maior estudo internacional sobre recursos e cuidados de enfermagem

Monday, June 25, 2018 - 10:23

Os resultados preliminares da replicação do estudo foram apresentados, na passada sexta feira, na Universidade Católica Portuguesa.

  • Primeira replicação em Portugal, incluindo ambas as Regiões Autónomas: 2013/2014 (2235 participantes, apenas internamento médico-cirúrgico nos hospitais).
     
  • Segunda replicação em Portugal: 2017/18 (5075 participantes, em todos os contextos, assim distribuídos: Hospitais (72,6%); Centros de Saúde (20,9%); Cuidados Continuados e “Lares” (4,4%).
     
  • Estudo coordenado pela Plataforma de Investigação em Enfermagem do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS), do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa.

Principais resultados preliminares:

Os Enfermeiros, apesar de muito exaustos, continuam moderadamente satisfeitos, confiam nos cuidados que prestam, descrevem a qualidade e segurança dos cuidados com sendo Bons, permanecem muito envolvidos com o trabalho (engaged) e desejam permanecer na profissão.

Todavia, persistem aspectos menos positivos, designadamente:

  • Ambientes de Trabalho pouco favoráveis;
  • Baixa Cultura Organizacional relativa à Segurança;
  • Incipiente adequação de Recursos Humanos e Materiais;
  • Elevados níveis de Burnout, particularmente na dimensão Exaustão Emocional e de Turnover (Intenção de Abandonar o Local de Trabalho);
  • Insatisfação laboral, especialmente em relação ao Salário (mais de 90%) e Oportunidades de Progressão (86,3%);
  • Elevadas cargas de trabalho (em média, mais de 8 doentes por Enfermeiro);
  • Elevada prevalência de alguns Incidentes de Cuidados (com Utentes e Enfermeiros), que por falta de tempo, são deixados por fazer e de realização de “Tarefas” que não de Enfermagem (ex.: Atender telefonemas, tarefas burocráticas).

Em conclusão:

Alguns aspetos positivos relativamente à qualidade e segurança dos cuidados e recomendação da sua organização em caso de necessidade de cuidados, não obstante os ambientes de prática pouco favoráveis;

Incipiente adequação de Recursos Humanos e Materiais, Participação na Governação das Organizações e Gestão, Liderança e Suporte aos Enfermeiros;

Grande variabilidade regional e organizacional em muitos dos indicadores estudados;

Piores índices nos contextos de internamento, em geral, e quando comparados com os resultados anteriores (2013/14), no mesmo tipo de serviços (médico-cirúrgicos);

Ausência de relação ou existência de associação negativa desfavorável em alguns dos indicadores estudados (ex.: adequação de recursos humanos e materiais, exaustão burnout, engagement…) com a referência de a organização estar ou não Acreditada para a Qualidade;

Enfermeiros que, apesar de muito exaustos, continuam moderadamente satisfeitos, muito envolvidos com o trabalho e desejam permanecer na profissão.

Próximos passos:

  • Devolução dos dados comparativos a cada organização participante, de modo confidencial;
  • Recolha de Dados dos Utentes – Satisfação/Experiência, Dependência de Cuidados de Enfermagem e Resumos Administrativos de Alta;
  • Aprofundamento da Análise dos Dados;
  • Estudo dos Ambientes de Prática dos Enfermeiros-Gestores;
  • Realização de estudos parcelares, nacionais e internacionais;
  • Publicação de resultados.