A pandemia COVID-19 trouxe, indubitavelmente, um convite à reflexão sobre diversas áreas da vida em sociedade, com particular enfoque no domínio da saúde. De um momento para o outro, os sistemas de saúde em diferentes geografias, tiveram de adaptar-se a uma nova realidade científica, profissional, ética, jurídica e social. Naturalmente que o conhecimento acumulado pelas diferentes ciências da saúde permitiu uma resposta melhor a esta pandemia, face às que ocorreram anteriormente. Contudo, em meados do ano de 2022, já nos encontramos naquilo a que podemos denominar por “pós-pandemia”, e, por isso, devemos fazer avaliação sobre o aprendido, para servir o futuro.
Ao nível do ensino das ciências da saúde, muito se alterou, adaptou e investigou. Sabemos hoje as consequências do estudo em confinamento, no bem-estar dos jovens estudantes do ensino superior, por exemplo, o que nos permite planear melhor o ensino à distância. E sabemos também, de forma mais clara, aquilo que já vínhamos investigando: i) a resposta às necessidades de saúde dos cidadãos exige uma articulação multidisciplinar e pluriprofissional, o que confere ao exercício das profissões da saúde uma natureza complexa; ii) as respostas em saúde exigem, a par de uma essencial dimensão científica, uma fundamental componente ética (e também deontológica e jurídica). São de naturezas diferentes a decisão quanto ao início de ventilação artificial capaz de substituir a função respiratória numa pessoa (decisão complexa, por natureza, face ao conjunto de variáveis que são necessárias ponderar) e a decisão sobre quem ventilar primeiro, face aos equipamentos disponíveis numa situação de catástrofe. Neste e noutros domínios da decisão em saúde, a pandemia veio demonstrar-nos que a melhor decisão clínica, sem uma adequada ponderação ética, não só não resolve os problemas em situação de calamidade, como origina nos profissionais de saúde um forte sofrimento ético, confundido frequentemente com “cansaço” ou “exaustão”.
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